sábado, 6 de fevereiro de 2010

"A Entidade Reguladora para a Comunicação Social tem de agir, porque não estamos perante uma mera infracção, mas perante um abuso e uma limitação da liberdade". O antigo director-geral da TVI vai mais longe e aponta responsabilidades a Cavaco Silva. "O Presidente da República não pode estar num pedestal perante um primeiro-ministro que mentiu ao país. José Sócrates não tem condições para governar e o PR, no mínimo, tem de lhe exigir explicações", disse José Eduardo Moniz.

Esta operação era para tomar conta da TVI e limpar o gajo", Armando Vara, administrador do BCP

"O Zeinal já arranjou maneira de, não dizendo que não ao Sócrates, fazer a operação de forma que ele nunca aparece", Paulo Penedos, advogado da PT

"Vai ser anunciado que [Moura Guedes] vai sair, vai para o entretenimento", Paulo Penedos, idem

"O chefe diz que é tudo ou nada e que não pode ficar com a fama sem o proveito", Rui Pedro Soares, administrador da PT

"Isto é que é uma tristeza total", José Penedos, presidente da REN

"Custe o que custar em termos de dinheiro, por muito que um gajo possa pensar que o crime compensa, ou vamos beneficiar o gajo, o Moniz devia sair confortável para estar calado", Paulo Penedos, advogado da PT

"As rádios da Media Capital vão ser compradas pela Ongoing e pelo genro do Cavaco (Luís Montez). É o preço da paz e que esse cala-se, fica a cuidar dos netos", Rui Pedro Soares, administrador da PT

As entidades patronais têm que perceber que o modelo de desenvolvimento do país não pode ser baseado nos baixos salários. É preciso aumentar os salários. Para haver vantagem competitiva, temos que trabalhar no sentido da excelência, da qualidade dos nossos recursos, serviços e produtos. O governo tem feito um esforço para qualificar os portugueses. Mas partimos com um défice muito baixo: 2,5 milhões têm baixos níveis de qualificações. E são esses que estão na base dos salários baixos. Mas também temos que, através da negociação colectiva e da concertação social, discutir esses salários baixos e as soluções para um novo modelo de desenvolvimento económico. Tem de haver uma repartição dos rendimentos mais equitativa e mais justa. Isso faz parte do debate sobre o Pacto para o Emprego.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Fim da Linha

Mário Crespo

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicacado hoje (1/2/2010) na imprensa.